Depressão: entenda a doença que afeta 11 milhões de brasileiros

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Depressão: entenda a doença que afeta 11 milhões de brasileiros

Doença que tem surgido cada vez mais e gerado dúvidas nas pessoas. Muitas vezes confundida com uma simples tristeza, ela pode afetar a vida de uma pessoa, podendo chegar ao ponto dela querer tirar a própria vida. Cerca de 90% das pessoas que chegam no estágio mais grave da depressão tentam se matar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 11 milhões de brasileiros sofrem com o problema. No mundo, estimam-se que 300 milhões de pessoas estão com a doença. Além disso, das 800 mil pessoas que morrem por suicídio a cada ano, a depressão é a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos. As mulheres são as que mais sofrem com a doença.

O GP1 conversou com o psicólogo Manoel Cortez, que tirou algumas dúvidas relacionadas a doença, principalmente devido a crença de que é preciso que a pessoa esteja passando por algum problema na sua vida para ter depressão. Diferenciar a depressão de uma simples tristeza é o primeiro passo.

“É preciso saber diferenciar a depressão de tristeza. Muita gente acredita que só por estar passando por uma condição, porque perdeu alguma coisa, ou porque está chateada após brigar com o namorado, a pessoa já que recorrer a um médico, se auto diagnosticando com depressão. Ficou um pouco banalizada a depressão por causa dos sintomas. A pessoa acaba tomando medicamentos sem precisar. É natural a tristeza. É inerente ao ser humano ter a tristeza e as pessoas não estão mais querendo trabalhar com essa situação, porque hoje tudo é imediato. A pessoa gripou, vai e compra um remédio para gripe, se sentiu triste e não consegue dormir, quer tomar logo um antidepressivo. O que se pode fazer para diferenciar a tristeza da depressão, é que a depressão é uma coisa que não passa”, explicou.

Os sintomas

São vários os sintomas que não só quem está passando por essa situação, mas até mesmo quem convive com alguém nessa condição, precisa ficar atento.

“Primeiramente a pessoa começa a perder a predisposição para fazer qualquer coisa, prefere ficar isolada, não quer sair com os amigos, fazer as atividades de antes. Com isso as pessoas começam a cobrar, sentir falta, dizer que a pessoa está sumida e é bom perceber esse primeiro sinal. A pessoa não tem mais disposição para fazer as coisas de antes, além disso há uma alteração no horário de sono. Ou ela passa a dormir muito, ou passa a dormir quase nada. Outro ponto, é que, ou ela perde muito peso ou começa a ganhar peso”, afirmou o psicólogo ao GP1.

A doença afeta o sistema fisiológico da pessoa, ao ponto do hormônio da felicidade chegar a 0. “As pessoas acham que é uma frescura, que é preguiça, mas o nosso cérebro passa a funcionar de outra maneira. É uma doença mesmo. Não é que a pessoa não quer se esforçar ou ajudar. É que ela está doente. Em relação a essa parte fisiológica, nós temos o hormônio da felicidade, que é a serotonina. É um hormônio que está na gente, que quando a gente faz o que gosta, quando vemos a pessoa amada, nosso corpo explode de serotonina. Existem umas taxas que podem chegar a 0 de seretonina devido a depressão. Com essas taxas tão baixas, a pessoa não vê mais as cores como a gente vê, a comida não tem mais o mesmo sabor, estar com os amigos não traz mais prazer, qualquer coisa que trazia alegria, não faz mais nenhum sentido”, destacou Manoel Cortez. O grande perigo dessa doença é que cérebro da pessoa se altera para ver apenas o lado negativo.

Como surge a depressão

O psicólogo explicou que existem duas formas de ficar com a depressão. Na depressão conhecida como endógena a pessoa já nasce com uma predisposição a ter essa doença. “Na endógena a pessoa já nasceu com aquilo, onde o cérebro tem alguma predisposição em algum momento da vida a ter todo esse mal funcionamento neurológico. Os neurotransmissores, tudo que passa na nossa cabeça, seja para julgamentos, para racionalizar e pensar, ele de repente perde essa capacidade e a pessoa começa a ter esses traços depressivos. O ativador, poder ser exatamente alguém muito próximo, uma figura importante para essa pessoa”, explicou.

Foto: Hélio Alef/GP1
Já a segunda forma, é conhecida como depressão exógena. Nela a pessoa é afetada por fatores externos, que vão criando um conceito na mente da pessoa. “Tudo que a pessoa ouve fica marcada, é aí que a gente descobre o poder da palavra. Por exemplo, a criança, quando está em casa e derruba algo, a figura importante para ela, seja o pai ou a mãe, fala algo do tipo ‘você só atrapalha’ ou ‘você não faz nada de certo, isso acaba afetando a pessoa. Claro que só isso não vai interferir naquele momento, mas pode acontecer mais na frente. A pessoa passa a criar conceitos da vida dela sem nem ela perceber. Fazer comparativos do tipo ‘porque você não é igual ao seu irmão?’, são coisas que vão ter impacto mais na frente e vão enraizar conceitos dentro dessa pessoa”, disse Manoel Cortez.

O psicólogo deu como exemplo uma paciente que atendeu, onde as várias situações da vida que ela passou, fizeram com que ela tivesse depressão.

“Um exemplo que eu tenho é de um caso que atendi, é de uma moça que se desvalorizava sobre tudo. Isso começou quando ela era criança. Os pais dela se separaram, mas estavam preocupados em contar para ela, com medo dela não entender. Só que criança entende sim. Para compensar o divórcio, o pai começou a dar presentes, começaram a viajar, só coisas boas. Daí subitamente ele saiu da vida dela. Além disso, quando ela era adolescente, ela teve um namorado, que era ótimo e traiu ela, que foi outra situação que a afetou. Já mãe tinha um certo discurso, dizendo que ela não ajudava em casa, que só atrapalhava, que não devia ter nascido. Quando ela chegava para alguém, tudo enquanto ela falava, dava a entender que ela atrapalhava o que os outros faziam. Como se o outro fosse mais importante que ela. Ela ainda achava que quando alguém era bom para ela, que iria abandoná-la. Ela não achava que era boa para ser amada. Essa crença começa a construir essa falta de propósito dela no nosso mundo. A crença de que ela não é uma pessoa digna de ser amada e é a dor que ela carrega todo dia”, afirmou.

Suicídio

A depressão passa por três etapas: o leve, o moderado e o grave. No leve, a pessoa apresenta os sintomas de forma mais amena e só a terapia pode resolver, já no moderado e o grave, a pessoa não sai mais de casa, está apática, não consegue fazer mais nada.

O suicídio normalmente é quando a pessoa está na etapa mais grave da doença. “Cerca de 90% das vezes que a pessoa consegue chegar ao estágio grave da depressão, ela tenta o suicídio. Não para tirar a própria vida, mas para acabar com a dor que ela sente. Quer acabar com a dor que é incessante, que ela não é uma boa pessoa, que não merece estar viva, ela não tem propósito, ela não sente nada, se sente como um peso para a sociedade. É o momento mais grave, pois para trazer essa pessoa de volta a sociedade, é um trabalho árduo”, pontuou.

Manoel Cortez explicou que “nós temos o que chamamos de pulsão de vida. Por exemplo, quando a pessoa se afoga, ela começa a se debater, porque ela quer sobreviver. Existe uma coisa muito forte na gente em querer ficar vivo, é sobrevivência. Para você chegar em um momento de tirar a vida, a cima dessa racionalidade da pulsação pela vida, imagina o sofrimento que essa pessoa tem. Por mais que alguém diga: só quer chamar atenção, as pessoas precisam entender que aquela pessoa está passando por uma dor muito grande, que cada situação pode ser prejudicial”.
Tratamento

O tratamento é longo e deve ser de forma correta. São necessários vários profissionais, como um psicólogo, um psiquiatra, um nutricionista e até um profissional da área esportiva.

“Não tem um prazo específico. Em algumas pessoas pode demorar anos. Só com o medicamento, para começar efeito, demora um mês. É um progresso lento, é um processo em que tem que ter paciência. Isso demora porque aquela pessoa está no fundo do poço. Imagina só, se uma pessoa viveu 20 anos acreditando que não merece estar viva. Como é que eu vou descontruir 20 anos em três meses? Não adianta forçar uma melhora, pois ela pode voltar ao processo inicial. É precisa de uma equipe, com o psicólogo e psiquiatra, alguém na área de esportes que entenda como funciona, e um nutricionista, pois a comida interfere no humor”, destacou.

Como é um processo lento, é preciso ter paciência e acreditar que vai dar certo. “A pessoa com depressão ela tem recaídas e essa é a parte mais problemática. Faz parte de ter uma oscilação, uma hora tá melhor, outra hora tá pior, e aí a pessoa fica achando que não tá dando resultado. Muitos querem resultado na hora, mas é todo um tratamento. A depressão é uma doença que precisa de tratamento e acompanhamento, que pode durar anos. A pessoa ainda pode voltar a ter depois. A endógena é mais recorrente. Já na exógena a pessoa pode sim ter uma recaída, principalmente se ocorrerem situações que levem a isso, como perder a mãe, perder o emprego, isso pode voltar. Então a pessoa precisa aprender a conviver, precisa lidar com isso, e é nisso que a terapia age. Ás vezes a pessoa mascara o que está sentido, ela precisa dizer que precisa de ajuda. Esse é o primeiro passo”, declarou o psicólogo Manoel Cortez.

Como ajudar

A depressão é difícil até mesmo para quem convive com uma pessoa nessa situação. O psicólogo explicou que é preciso de muita paciência para poder ajudar quem tem essa doença.

“Não adianta só dizer para essa pessoa que tudo vai ficar bem. Você tem que dizer que está ali para ela, que se ela quer ir, por exemplo, ao supermercado comprar alguma coisa você vai junto. Você não pode fazer isso por ela, porque ela já está em uma situação decadente, se você fizer alguma coisa por ela, a pessoa cai em um ganho secundário, que é de se acomodar, pois já tem pessoas te paparicando, então pra que a pessoa iria tentar se esforçar? Quem tem depressão precisa se esforçar. É preciso ter muita paciência. Pode ocorrer de não querer mais trabalhar com essa pessoa que tem depressão, não querer mais conviver com essa pessoa. Isso porque o discurso negativo de quem tem depressão, suga a energia de quem está ouvindo. Aí a pessoa se sente incapaz. Como ela deve se comportar? Mostre que está presente, para ajudar. ‘Eu estou aqui lendo um livro, qualquer coisa me ligue, pode mandar mensagem que eu vou até você’. Esse tipo de coisa. A pessoa não quer alguém que fique dando sermão, para isso não tem interesse. Outra coisa que fazem muito errado, é menosprezar a dor do outro. Quando a pessoa consegue finalmente se abrir, que tá se sentindo triste, aí chega alguém que diz assim: ‘ah, mas você tem todos os membros do corpo’, ou ‘você não tem contas para pagar’, então indiretamente o que você está dizendo é que o sofrimento daquela pessoa é pouco. Então é importante o papel de escuta e não de fala”, explicou.

Fonte: GP1
Depressão: entenda a doença que afeta 11 milhões de brasileiros Reviewed by Juraci Silva on 14:36 Rating: 5

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