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Análise: dos 6 a 1 aos 0 a 4 em 349 dias. O que houve com o Corinthians?

Trezentos e quarenta e nove dias separam uma vitória por 6 a 1 de uma derrota por 4 a 0. Do Corinthians que humilhou o São Paulo na antepenúltima rodada do Brasileirão do ano passado para o que foi atropelado pelo Tricolor neste sábado, muita coisa mudou. Craques foram embora e o técnico (Tite) foi para a seleção brasileira, e "só" esses dois fatores já renderam muito textão no Facebook. Difícil mesmo é explicar tamanha falta de apetite do time que apanhou no Morumbi.



O Corinthians se mostrou um time sem gana, sem sangue, sem vibração. E também sem cérebro, sem inteligência, sem organização. Pareciam 11 zumbis em campo, usando as mesmas camisas pretas com listras horizontais daquela tarde de 6 a 1 em Itaquera.
Oswaldo de Oliveira, em sua entrevista coletiva após o jogo, lembrou estar há apenas 20 dias no cargo e reclamou da arbitragem. Para o treinador, não foi pênalti de Fagner em Kelvin, lance que gerou o primeiro gol são-paulino (de Cueva, com "cuevadinha"). A reclamação contra o árbitro Cláudio Francisco Lima e Silva (SE) pode até proceder, já que tem sido cada vez mais comum os lances de pênalti em que o atacante entra na área, corta para o lado e espera o choque com o defensor para se atirar no chão. Um gol logo no início de um clássico, na casa do rival, sempre complica. Mas chega a ser risível o argumento de que o Corinthians perdeu por casa de um erro de arbitragem.
O Corinthians perdeu porque não jogou. Não conseguiu. Em vários momentos, pareceu nem tentar. O primeiro chute a gol, de Rodriguinho, saiu com 37 minutos de jogo. Trinta e sete. Fora essa finalização, de fora da área, o Timão só chegou uma vez à área do rival durante todo o primeiro tempo, numa cabeçada para fora de Romero. E não que o São Paulo estivesse numa noite iluminada (só Cueva se sobressaía). O problema era a apatia corintiana mesmo.
Cassio Corinthians São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)Cássio lamenta um dos quatro gols do São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)
Na entrevista coletiva após o jogo, Oswaldo foi perguntado se "falta qualidade" e se "falta empenho" dos jogadores. Ele respondeu admitindo que precisa de reforços, mas afirmou que "todos estão se empenhando". Onde está o problema então?
É fato que a defesa hoje não tem a mesma qualidade de outros tempos. O Corinthians teve o setor menos vazado em dois dos últimos três Campeonatos Brasileiros. No torneio deste ano, a equipe ainda começou com Tite, que comandou o time nas sete primeiras rodadas, com cinco gols sofridos (média de 0,71 por jogo). Depois que ele saiu, o Corinthians tomou 33 gols nos outros 27 jogos que disputou no torneio (com Cristóvão Borges, Fábio Carille e agora Oswaldo de Oliveira), e a média subiu para 1,22.
Zagueiros que chegaram ao clube como incógnitas foram vendidos como craques (Cleber, Gil, Felipe). Mérito de Tite, que sabe como montar um time bem protegido. Se ele ainda estivesse no clube, dificilmente o Corinthians levaria de quatro, mesmo com Vilson e Balbuena (ou Yago, ou Pedro Henrique, ou qualquer outro que viesse a entrar como zagueiro com Tite). Havia um padrão, havia compactação. A marcação começava no centroavante (Vagner Love), e raramente havia espaços para o adversário.
São Paulo x Corinthians Oswaldo de Oliveira (Foto: Marcos Ribolli)Oswaldo de Oliveira reclamou da arbitragem no Morumbi (Foto: Marcos Ribolli)
E como explicar a situação dos volantes? Ora com Willians, ora com Camacho, o Corinthians perdeu seu pilar de sustentação defensiva (Ralf) e nunca mais se encontrou. Cueva deitou e rolou no Morumbi.
E não é só isso. O Corinthians atual também não tem mais aquela movimentação no ataque, aquelas triangulações. Fagner foi um dos melhores exemplos de evolução com Tite. Nas jogadas com Jadson e Elias, o lateral ganhou projeção. Chegou à Seleção, justamente com seu ex-treinador no Corinthians. Mas caiu de produção no clube. Jogadores como Giovanni Augusto e Romero estão muito abaixo daquilo que o Timão um dia teve.
Mas o mais importante: falta personalidade ao Corinthians. Renato Augusto, Jadson, Elias... são todos "boleirões", jogadores que sabem ler uma partida, chamam a responsabilidade. O Corinthians que tomou de 4 a 0 do São Paulo parecia um time sem alma, sem cara, sem coração.
Cristóvão Borges tentou, Fábio Carille tentou, Oswaldo de Oliveira está tentando... mas o fato é que o Timão não dá nenhum sinal de reação. Por pura incompetência dos rivais mais próximos (e também com a sorte da mudança no número de vagas para brasileiros na Libertadores), o time ainda luta por uma vaga no torneio continental. Se conseguir, é pra louvar de pé.
Análise: dos 6 a 1 aos 0 a 4 em 349 dias. O que houve com o Corinthians? Reviewed by J Silva on 20:28 Rating: 5

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